A chegada do calor na Europa vem, há anos, acompanhada da realização das maiores provas ciclísticas do mundo. Milan-San Remo, Paris-Roubaix, o Giro d’Itália, o Tour da Suíça, a Volta da Espanha e a mais famosa de todas, o Tour de France, para citar apenas alguns exemplos. Para quem gosta, é uma festa.
(Foto: www.rai.it)
E o melhor de tudo, uma festa que gira em torno de um esporte cujo impacto ambiental é mínimo, certo? Depende.
As grandes provas ciclísticas são compostas de um número razoavelmente grande de corredores (o Tour de France tem cerca de 200 participantes, divididos em 22 equipes). Fora as embalagens de comida e garrafas plásticas que atiram para os lados da estrada, esses atletas não causam impacto ambiental quase nenhum durante a competição. E as tais garrafas (caramanholas, no jargão) ainda por cima são quase todas recolhidas pelos fãs como souvenires.
Tradicionalmente, porém, esses atletas são seguidos, durante todo o percurso, por uma verdadeira caravana de carros e motos, alguns deles essenciais, como os que transportam os organizadores da prova, mecânicos, médicos, a imprensa e a polícia que abre o caminho em meio aos fãs (sim, eles se amontoam aos milhares à beira da estrada, chegando a causar acidentes).
Outros, porém, vêm sendo vistos como dispensáveis e até prejudiciais ao esporte. Trata-se dos carros que transportam os chamados diretores esportivos de cada equipe, uma espécie de técnico que ajusta, durante a prova, a estratégia dos seus comandados.
A polêmica sobre se esses diretores devem ou não continuar a acompanhar as provas foi recentemente objeto de uma matéria na revista francesa especializada Vélo Magazine e em meio a diversos argumentos de ordem técnica e estratégica, alega-se que esses carros, além de tudo, representam um impacto ambiental significativo dentro do contexto.
A conta apresentada pela revista, usando como exemplo o Tour de France, é a seguinte: cada uma das 22 equipes participantes tem direito a dois carros de diretores esportivos durante quase todo o trajeto. Cada um desses carros, cheio de bicicletas no teto, emitiria cerca de 270 gCO2/km. O Tour desse ano percorrerá 3.642 km em 23 etapas, o que significa que a abolição dos carros dos diretores esportivos economizaria, sozinha, algo em torno de 43 toneladas de CO2 em emissões, em um esporte que sempre teve fama de “limpo”.
Para maiores informações sobre o Tour de France, acesse www.letour.fr.









