Responda, por favor: o que os atos de pegar um pedaço de papel toalha para limpar um pingo de molho que caiu na mesa, de ligar o secador de cabelo e de embarcar em um avião têm em comum? A resposta é: todos causam algum impacto ambiental.
Aliás, tudo – absolutamente tudo – o que fazemos afeta, de alguma forma, o meio ambiente. E isso não apenas é inevitável, mas é também absolutamente natural. E não é, de forma alguma, exclusividade da nossa espécie.
A diferença é que, por diversos fatores que não cabe discutir aqui (e não cabe mesmo, por falta de espaço), nós humanos nos tornamos extremamente eficientes nesse papel de modificadores do meio que nos cerca.
O que nos separa dos demais animais e das plantas, porém, é o fato de termos consciência dos nossos atos. Quando qualquer um de nós liga o carro de manhã para ir ao trabalho, por exemplo, pode até não se importar com isso, mas sabe que está contribuindo para o aquecimento global.
Além de uma imensa responsabilidade, dessa consciência surge ainda um outro fator que também nos diferencia dos demais seres vivos no que toca ao nosso próprio impacto ambiental: na maioria das vezes, nós temos escolha.
Todos os dias nós exercitamos dezenas, talvez centenas de vezes essa capacidade, decidindo com base nas nossas condições e preferências individuais. Viajar de avião, de carro ou de ônibus? Lavar o carro no posto, com mangueira ou com balde? Usar sacolas de plástico, de pano ou de papel no mercado? Tomar banho frio ou quente? Todas essas pequenas decisões, que tomamos quase sem perceber, contribuem para diminuir ou aumentar o nosso impacto sobre o meio ambiente.
A proposta deste blog
Se reverter o atual quadro aparentemente preocupante de degradação ambiental depende, essencialmente, de decisões governamentais e da implementação de políticas públicas mais voltadas para esse fim, cada um de nós pode, se quiser, fazer alguma coisa para diminuir a própria “pegada ecológica”.
É aí que esse blog entra. Seu intuito não é revolucionar nada. A idéia não é fazer com que as pessoas parem de usar carros e condicionadores de ar e passem a tomar banho frio, o que seria pouco ou nada realista e, portanto, inútil. Nós mesmos não estamos dispostos a esse tipo de sacrifício.
Ainda não sabemos, por exemplo, se a decisão de nos mudarmos do Brasil para a Europa aumentou ou diminuiu o nosso impacto ambiental. Se por um lado teremos que usar aquecedores no inverno, por outro não usaremos ar condicionado quase o ano todo, como se faz em grande parte do Brasil.
De toda forma, nós temos tentado tornar o nosso dia-a-dia um pouquinho menos impactante, através do questionamento freqüente das nossas ações. Por exemplo: é melhor usar guardanapo de papel que é descartável, mas que pode ser usado para limpar a louça engordurada antes de lavá-la, economizando água e detergente, ou guardanapo de pano, que é reutilizável, mas que precisa ser lavado frequentemente? E para assoar o nariz, é melhor usar água ou lenço de papel?
Ações corriqueiras, que normalmente passam despercebidas e que serão o objeto principal desse blog, no qual compartilharemos e discutiremos com vocês as dúvidas e soluções que certamente surgirão nessa busca.
Nesse processo freqüentemente descobriremos, juntos, que nem sempre as coisas são como a mídia “tradicional” as apresenta. E que pelo menos em se tratando de ser mais “verde”, quase nada é tão assim “preto no branco”.
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