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A ÁGUA E A MUDANÇA NO CLIMA


Dia mundial da água - Portal É conosco

As represas que abastecem a Grande São Paulo, por estarem muito perto das cabeceiras dos rios, são muito dependentes do índice de chuvas e segundo a medição do INMET - Instituto Nacional de Meteorologia - a cidade de São Paulo acumulou o maior volume de chuva em fevereiro desde 1998.


Detalhe histórico do nível de água no sistema Cantareira.

Por conta da crise hídrica em 2014|15 a Sabesp tomou diversas medidas como a concessão de bônus, aplicação de multas ao consumidor, captação de menos água das represas e de mais água de rios e a interligação dos sistemas de captação.

O estado do sistema Cantareira em março de 2021 era considerado bom com 51.3 % de sua capacidade, mas o “efeito sanfona” em janeiro mostrava um índice de armazenamento de 35,6%, o menor volume desde dezembro de 2013 (pré crise hídrica).


Mudanças no clima é sinal de alerta.


O verão mais quente e seco em sete décadas (2014), levou o nível do conjunto de reservatórios da região metropolitana, o Sistema Cantareira a 14,6%. O temor de uma nova falta de água, como a ocorrida sete anos atrás permanece.


O economista ecológico Bruno Puga em sua tese de doutorado (1986) disse – “Eventos climáticos extremos, como secas e enchentes, colocam em xeque os sistemas de governança hídricos, testando seus limites e gargalos.


Quando tais eventos resultam na ocorrência de crises hídricas, pode também revelar as falhas institucionais para lidar efetivamente com os novos desafios colocados pelas mudanças climáticas.”

“Clima e água não podem ser tratadas como assuntos independentes, uma vez que a água é o meio primário através do qual os impactos serão mais sentidos”. BRUNO PUGA

Bruno Puga - O acesso a água não é simples.


O site da Agência Nacional de Águas (e Saneamento Básico) – ANA, informa que já em 2002 a Agência exerceu a coordenação da Câmera Técnica de Recursos Hídricos no Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas e em 2017 passou a integrar a nova formatação do Fórum Brasileiro de Mudança do Clima (FBMC), cujo objetivo é conscientizar a sociedade e contribuir para discussão de ações necessárias para o enfrentamento das mudanças climáticas.


A partir de 2018 passou a integrar o tema das mudanças climáticas em suas iniciativas de planejamento e gestão dos recursos hídricos, por meio de projeto piloto na Bacia do Rio Piranhas Açu.


O Superintendente de Planejamento da Agência Nacional de Águas, Sérgio Ayrimoraes, explica que a Agência é responsável pela gestão das águas em todo o país com a missão de garantir a segurança hídrica para os usos da água. Abastecimentos das cidades, irrigação, energia, indústria, ou seja, ela coordena todo o sistema de gestão de recursos hídricos.


Sérgio Ayrimoraes - Crise hídrica e enfrentamentos da ANA.


Mas quem é que gasta tanta água?


Nos países desenvolvidos, em uma média total, a maior parte da utilização da água em relação as atividades com o consumo é de 59% para a indústria, 30% para a agricultura e 11% para o uso doméstico. Nos países subdesenvolvidos, essa média é diferente: a agricultura representa 82%; a indústria, 10%; e as residências, 8%.


Beatriz Oliveira – Gerente de Meio Ambiente da Ambev – Fala sobre a importância e as etapas necessárias para se fazer um planejamento de uso racional da água na indústria. Fala sobre o passo a passo desde a captação até seu descarte em condições melhores do que sua entrada na fábrica ou ainda da possibilidade de se ter um ciclo fechado através do reuso.


Beatriz Oliveira – Planejamento do uso da água.


Fabiana Alves – Diretora Rabobank Brasil – Traz uma visão interessante sobre a responsabilidade compartilhada que todos temos que ter em relação ao uso da água.


Conta que a produção de alimentos passa pelo consumo da água, mas que o agronegócio na verdade utiliza, transporta e converte a água em alimentos que são consumidos por nós.

Quando jogamos alimentos no lixo ou deixamos estragar na geladeira, nós estamos desperdiçando água. Ou seja, a responsabilidade pelo consumo de água é de todos.


Fala sobre a importância da cadeia da produção de alimentos se preparar para ser cada vez mais transparente através da rastreabilidade.


Fabiana Alves - Responsabilidade no consumo de água.


E O QUE A AMAZÔNIA TEM A VER COM ISSO?


O relatório publicado pelo INPE “O FUTURO CLIMÁTICO DA AMAZÔNIA” (2014) aponta o desmatamento como um dos grandes responsáveis pela mudança dos padrões de pressão podendo causar declínio dos ventos que trazem umidade do oceano para o continente reduzindo drasticamente o volume de chuvas no interior do país.

Isso se dá pela capacidade inata das árvores de transferir grandes volumes de água do solo para a atmosfera através da transpiração.


Antônio Nobre – Pesquisador Sênior – Centro de Ciência do INPE - fala que a busca do equilíbrio é uma propriedade da vida e se aplica a todos os processos vivos. Nós estamos matando o planeta e o sistema está tendo que lidar com isso. A floresta é como um oceano suspenso.


Antônio Nobre - A floresta é um oceano suspenso.


Mulheres são as mais afetadas pela falta de água e saneamento.


O Secretário-Executivo da Rede Brasil do Pacto Global, Carlo Pereira, fala sobre os ODS e da importância individual de cada um deles, na perspectiva que são integrados, interligados e indivisíveis.

Explica como as mulheres são mais afetadas pela falta de água e saneamento.


Carlo Pereira - As mulheres são mais afetadas pela falta de água e saneamento.