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"Acredito que estamos construindo o futuro aqui e agora" - Naira Santa Rita



No papo desta semana conversamos com Naira. Pesquisadora e ativista climática, é fundadora do movimento ESG Antirracista e compartilhou um pouco da sua experiência pessoal conosco. A seguir, você encontra a entrevista na íntegra! Venha ver o que rolou na nossa conversa com ela.


Naira Santa Rita Wayand é filha da Ana, mãe do Cainã. É Gestora Ambiental de formação e especialista em sustentabilidade/ESG, além de Climate Reality Leader e ativista climática.


Acredita que estamos construindo o futuro aqui e agora e precisamos estar comprometidos com uma agenda de desenvolvimento sustentável responsiva que promova justiça racial e climática para todos. Já ministrou cursos, palestras e oficinas para UNICEF, UFBA, LYOC, EngajaMundo e etc. Com mais de 7 artigos escritos sobre crise climática, diversidade, equidade, inclusão, adaptação climática e racismo ambiental, Naira foi destacada como Top Voice Sustentabilidade e Creator 2022, está entre os 10 especialistas de sustentabilidade da rede Brasil - que conta com mais de 50 milhões de usuários.


É Conosco: De que forma a sua atuação nas organizações para expansão de iniciativas voltadas para ESG conversa com o seu propósito pessoal/profissional e com o impacto socioambiental que deseja causar?


Naira: Acredito que estamos construindo o futuro aqui e agora, e precisamos estar alinhados com um futuro mais igualitário e de menores desigualdades; um futuro com desenvolvimento socioambiental sustentável para todos, sem exceção. Para isso, precisamos de mobilização e ação intersetorial - todos juntos na mesma direção - trabalhando em agendas que visem o bem comum da sociedade e, principalmente, de grupos historicamente negligenciados.


É dever e responsabilidade de todos nós fomentar essas agendas, pelo direito do bem viver para todes!


É Conosco: Quais os motivos pelos quais a causa climática se tornou pauta essencial na sua jornada?


Naira: Vivenciar a crise climática que atingiu minha cidade natal, Petrópolis, em fevereiro de 2022 - me tornando deslocada climática -, é um dos motivos da causa climática/ambiental ser tão essencial e cara para mim. Eu e minha família fomos forçados a migrar e recomeçar nossas vidas, apesar de todo o caos. Saímos dessa tragédia climática com o bem mais precioso: a vida. Outras mais de 230 famílias que moravam em áreas de risco - que transitavam no centro histórico; que retornavam do trabalho para a casa - não tiveram a mesma oportunidade, e essa tragédia evidencia o mito da democracia racial de que “Somos todos iguais’’. Não podemos jamais afirmar isso, pois a democracia pressupõe acesso; acesso esse que, hoje, a maior parcela brasileira negra, indígena, quilombola não tem, e isso custa muito mais que bem materiais. Custa a vida. Antes de vivenciar a crise climática, eu estudava sobre ela, sobre como o racismo ambiental e os impactos da crise climática não são neutros e atingem determinados países e parcelas específicas da população, e como o racismo ambiental é presente e tão banalizado em nosso cotidiano. Estudar e vivenciar a crise climática me conduziu ao ponto de trabalhar no desenvolvimento de projetos com foco em adaptação climática para territórios vulneráveis, redução de perdas e danos e no combate ao racismo ambiental.


É Conosco: Como a comunicação disruptiva e a criação de conteúdo relevante influenciam no processo de letramento dos atores envolvidos e afetados pelas mudanças climáticas? Como foi a sua trajetória no Instituto Perifa Sustentável nesse sentido?


Naira: Não temos como combater um problema que fingimos não existir. O letramento para mudanças climáticas se fundamenta justamente na disseminação do tema de forma acessível para que todos compreendam que estamos vivenciando eventos climáticos extremos em tempo real, ano após ano. A comunicação é a chave para inserir o tema no cotidiano das pessoas, utilizando as redes sociais como aliadas, comunicando em multiplataformas, personalizando a mensagem de acordo com o público e, principalmente, acessibilizando a mensagem para que todos - desde uma pessoa com zero conhecimento do tema até um expert - possam entender, internalizar. Eu entrei no Perifa Sustentável após ter passado pela crise climática e me tornado deslocada climática, era uma forma de transformar minha experiência em ação e, de maneira dedicada e voluntária, estruturei duas áreas do zero; incluindo a de comunicação orientada para mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável. Estabeleci processos, gerenciei equipes, formei times; e saímos de 5k para quase 10k de maneira orgânica - com um alcance de 31k no instagram -, falando de mudanças climáticas, racismo ambiental e todas as suas intersecções.

Fui idealizadora do #QuintaClimática, programa exibido toda quinta-feira no Youtube abordando e fazendo formações sobre o tema de mudanças climáticas e suas intersecções, trazendo diferentes atores e narrativas plurais para compor o debate climático e ambiental visando a disseminação do tema.


É Conosco: Qual foi o momento em que você sentiu a necessidade de fundar o Movimento ESG Antirracista? Qual a importância da representatividade negra e indígena nas pautas de sustentabilidade, ESG, meio ambiente, mudanças climáticas no corporativo e terceiro setor?


Naira: Sendo profissional da área de sustentabilidade, sempre senti um vazio de representatividade negra e indígena tocando agendas voltadas a ESG e mudanças climáticas. Ainda é possível observar que a massa de profissionais debatendo agendas relacionadas ao meio ambiente, impacto social positivo, governança corporativa e mudanças climáticas é de profissionais do sudeste, não negros e indígenas, tanto no corporativo quanto no terceiro setor; mesmo que exista um apelo do pilar social dentro da sigla ESG, visando trabalhar na redução das desigualdades de acessos e oportunidades para grupos historicamente negligenciados.



Em outubro do ano passado, trocando com meus parceiros, Bryan Chiarello e Wallacy Barreto, - ambos homens negros, sendo Bryan homem gay e ativista dos direitos humanos em SP Wallacy, ativista ambiental no Pará, eu entre MG e RJ -, começamos a articular como poderíamos somar nossas vozes para combater a falta de representatividade negra e indígena em relação a essas agendas e, principalmente, como poderíamos descentralizar o debate do eixo Sudeste; trazendo para a mesa a legitimidade do Norte, Nordeste, Centro Oeste e Sul. Pensamos como criar oportunidades em busca de disseminar o tema com legitimidade dos atores envolvidos de forma a conectar profissionais às oportunidades, amplificar a voz e visibilidade de pessoas plurais, apoiar no desenvolvimento profissional de negros e indígenas nas áreas de meio ambiente, ESG, sustentabilidade corporativa, além de promover uma robusta formação de lideranças nessas pautas, incentivando a promoção de vagas afirmativas e visibilizando a importância do cuidado da saúde mental de profissionais negros e indígenas.


Em fevereiro, já firmados e alinhados com nossos 5 compromissos coletivos, lançamos o Movimento, sendo este o primeiro passo de um projeto que visa impactar e transformar a agenda ESG e desenvolvimento sustentável no Brasil, combatendo a centralização, o racismo estrutural e criando oportunidades efetivas a nível nacional.

 




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