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Quando o suficiente deixou de ser suficiente?

  • há 2 dias
  • 3 min de leitura
Existe uma diferença importante entre necessidade e desejo - É conosco
Imagem criada com IA - @econosco

Durante quase toda a história da humanidade, a abundância era uma exceção.

Colher mais do que o necessário era motivo de celebração. Ter alimento estocado significava segurança. Encontrar água em abundância podia definir o destino de uma comunidade inteira.


A cultura da abundância


Hoje vivemos uma situação inédita. Pela primeira vez, a abundância deixou de ser um acontecimento e passou a ser uma expectativa permanente.


Qualquer produto é disponibilizado em quantidades e variedades absurdas e, curiosamente, quanto maior a oferta, menos satisfeitos parecemos ficar.

Talvez porque o problema nunca tenha sido a quantidade de coisas disponíveis.


O problema é que passamos a acreditar que o suficiente está sempre um pouco além do que já temos.


Existe uma diferença importante entre necessidade e desejo.


Precisamos de alimento, mas aprendemos a desejar experiências gastronômicas.

Precisamos de roupas, mas desejamos coleções.

Os carros, criados para nos locomover, passaram a representar status sobre rodas.


Essa transformação não aconteceu por acaso. O mercado descobriu algo poderoso: uma pessoa satisfeita compra menos.


Por isso, boa parte da comunicação contemporânea não vende apenas produtos.


Primeiro, produz insatisfação, criando a sensação de falta. Depois oferece uma solução. Poucos meses depois, substitui essa solução por uma versão "nova".


O suficiente desapareceu


Existe uma palavra que praticamente desapareceu do nosso vocabulário: suficiente.


Não perguntamos mais: "Do que realmente preciso?".

Perguntamos: "Qual é o mais novo? Qual está na moda?", sem avaliar apenas a utilidade ou a necessidade.


Avaliamos tendências, exclusividade, prestígio e novidade porque, sem perceber, trocamos um critério objetivo por um critério emocional.


E isso tem consequências enormes, não apenas para o bolso, mas também para o planeta.


Toda produção consome energia.

Toda embalagem consome recursos.

Todo transporte emite carbono.

Todo descarte gera impacto.


O problema ambiental começa muito antes da lixeira.

Ele começa quando confundimos desejo com necessidade.


A abundância também produz escassez


Pode parecer contraditório, mas talvez a maior fabricante de escassez seja justamente a cultura da abundância.


Quando tudo está disponível o tempo todo, perdemos a capacidade de valorizar.


Alimentos são desperdiçados. Roupas e objetos perfeitamente funcionais são usados poucas vezes ou substituídos por versões ligeiramente diferentes, simplesmente porque deixaram de representar quem queremos parecer ser.


A abundância de produtos produz escassez de atenção, de tempo, de recursos naturais e, muitas vezes, de satisfação.


A comunicação também pode construir outro futuro


A boa notícia é que a mesma comunicação que ajudou a criar essa cultura também pode ajudar a transformá-la.


Se aprendemos que felicidade depende de possuir mais, também podemos aprender que bem-estar depende de escolher melhor.


Se fomos treinados para desejar o novo, podemos reaprender a valorizar o durável.


Se a publicidade conseguiu transformar o descartável em algo desejável, talvez possamos fazer o caminho inverso.


Porque sustentabilidade não significa viver com menos, mas descobrir que, muitas vezes, o suficiente já estava conosco o tempo todo.


Em que momento deixamos de reconhecer quando já tínhamos o suficiente?


Talvez a pergunta mais importante para o futuro não seja "Quanto ainda podemos consumir?", mas outra, muito mais simples:


"De quanto realmente precisamos?"

Saiba mais assistindo ao documentário "Cultura do Desperdício - por uma sociedade mais consciente" (2017): https://youtu.be/EDBEDtGH-8k

The Climate Reality Project Brasil - É conosco

Conheça a filial brasileira do The Climate Reality Project, organização global criada pelo ex-vice-presidente dos Estados Unidos e Nobel da Paz, Al Gore, em 2006. Presente em 12 países e regiões-chave, conta com uma rede de mais de 50 mil voluntários pelo mundo, sendo mais de 4 mil localizados no Brasil. Aqui, o The Climate Reality Project, é representado pelo Cento Brasil no Clima.



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