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Em tempos de ultraprocessados, comer é um ato político

  • há 4 horas
  • 3 min de leitura
Slow food, comer é um ato político.

O legado de Carlo Petrini (Slow Food) reforça a urgência de repensarmos nossa relação com a comida, valorizando saúde, cultura, sustentabilidade e os impactos das escolhas alimentares no mundo contemporâneo.


A morte de Petrini (quinta-feira, 21/05) marca o encerramento de uma trajetória que transformou profundamente a forma como o mundo passou a enxergar a alimentação. Mais do que um jornalista gastronômico italiano ou ativista da culinária tradicional, Petrini ajudou a consolidar uma ideia poderosa e cada vez mais urgente: comer é um ato político.


O fundador do movimento Slow Food, iniciou sua mobilização nos anos 1980 após protestos contra a abertura de uma unidade do McDonald's, em Roma. O gesto simbolizava uma resistência à padronização alimentar e à transformação da comida em mero produto industrial.


Desde então, o movimento cresceu e alcançou cerca de 160 países, incluindo o Brasil, defendendo uma alimentação “boa, limpa e justa”: boa para quem come, limpa para o planeta e justa para quem produz.


Petrini defendia o conceito “farm to table” — do campo à mesa — valorizando alimentos locais, sazonais, produzidos de forma responsável e conectados à cultura alimentar de cada território. Em um mundo dominado pela pressa, pelos ultraprocessados e pelo consumo automático, sua mensagem ganhou dimensão ética, ambiental e até civilizatória.


Em seu manifesto, o movimento Slow Food afirma:

A comida envolve muitas dimensões da vida, é um dos elementos principais que moldam nossa identidade e nossas relações com o mundo. A comida é conexão com o território e a natureza. Ela é memória e afeto, é história e patrimônio

A frase ajuda a compreender por que a alimentação deixou de ser apenas uma questão nutricional para se tornar também uma pauta ambiental, econômica, cultural e política.


O alimento como sistema


Ao longo dos últimos anos, tivemos a oportunidade, em nossas produções audiovisuais, de entrevistar pesquisadores que ajudaram a aprofundar esse debate no Brasil.


Entre eles, o professor Carlos Augusto Monteiro, titular do Departamento de Nutrição da Universidade de São Paulo e criador da classificação NOVA, referência mundial no estudo dos alimentos ultraprocessados.


Monteiro alerta que o problema não está apenas nos nutrientes isolados, mas no próprio modelo industrial que transforma alimentos em formulações artificiais ou extraídas de alimentos, como emulsificantes, corantes e gorduras hidrogenadas, altamente palatáveis e associadas ao aumento de obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares e outros problemas crônicos.



Também conversamos com a professora Maria Laura Louzada, pesquisadora do NUPENS, que destaca como os hábitos alimentares modernos vêm substituindo refeições tradicionais por produtos rápidos, padronizados e desconectados da cultura alimentar.



Essas entrevistas reforçam algo que Petrini defendia há décadas: nossas escolhas alimentares impactam diretamente não apenas nossa saúde, mas também o meio ambiente, a agricultura, a economia local e as relações sociais.


Educação alimentar: aprender a sentir o alimento


Um dos pilares mais interessantes do movimento Slow Food é a chamada “Educação Alimentar e do Gosto”.

A proposta vai além de ensinar sobre nutrientes ou calorias. O objetivo é reconectar as pessoas com os sentidos, com a origem dos alimentos e com o ato de comer de forma consciente.


Segundo o movimento, essa educação busca:

  • despertar habilidades sensoriais;

  • valorizar a convivialidade;

  • fortalecer vínculos culturais;

  • aproximar consumidores dos produtores;

  • compreender os impactos ambientais e sociais da alimentação.


É uma abordagem multidisciplinar que mistura agricultura, cultura, memória, saúde e sustentabilidade.

The Climate Reality Project Brasil

Conheça a filial brasileira do The Climate Reality Project, organização global criada pelo ex-vice-presidente dos Estados Unidos e Nobel da Paz, Al Gore, em 2006. Presente em 12 países e regiões-chave, conta com uma rede de mais de 50 mil voluntários pelo mundo, sendo mais de 4 mil localizados no Brasil. Aqui, o The Climate Reality Project, é representado pelo Cento Brasil no Clima.


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