Da vida-mercado à vida-sonhos: por que a crise climática também é uma crise de sentido
- É conosco

- 12 de jan.
- 3 min de leitura

Durante os últimos cinco anos, entre pesquisas, entrevistas, produção de vídeos e projetos editoriais sobre sustentabilidade, uma constatação foi se impondo com força crescente:
O maior bloqueio à transição que o mundo precisa superar não é técnico, é cultural
O problema nunca foi saber como mudar, mas aceitar que precisamos mudar.
Falamos de energia limpa, economia circular, inovação verde e novos modelos de negócio. Só então constatamos que o que sustenta tudo isso, e também o que limita sua eficácia, é o modo como aprendemos a desejar, consumir e medir o valor da própria vida.
A maioria das pessoas vive hoje dentro de um modelo que pode ser chamado de vida-mercado: um sistema simbólico no qual existir passou a significar produzir, performar e consumir. Nesse modelo, identidade virou marca pessoal, tempo virou ativo e atenção virou moeda. Tudo é comparável, ranqueável e substituível... inclusive as pessoas.
A lógica é simples e brutal: você vale pelo que entrega, pelo que compra e pelo que exibe
O problema é que essa engrenagem, que movimenta a economia global, também produz um colapso silencioso: exaustão, ansiedade crônica, solidão, sensação de insuficiência e perda de sentido. Não por acaso, os indicadores de saúde mental pioram no mesmo ritmo em que cresce o consumo.
Não é coincidência. É projeto.
A vida-mercado depende que as pessoas nunca estejam satisfeitas. O desejo precisa ser continuamente deslocado: do que você é para o que ainda falta comprar. É isso que mantém a roda girando.
Mas esse modelo colidiu com dois limites inegociáveis: o planeta e a psique humana.
De um lado, um sistema econômico que exige crescimento infinito em um mundo finito. De outro, indivíduos pressionados a competir permanentemente por atenção, status e pertencimento.
O resultado é uma crise que não é apenas ambiental ou social, é civilizatória
É nesse contexto que ganha força uma ideia que vem aparecendo com diferentes nomes em pesquisas, movimentos culturais e debates sobre bem-estar e sustentabilidade: a transição de uma vida-mercado para uma vida-sonhos.
A vida-sonhos não se define pelo acúmulo, mas pelo sentido.
Não pela performance, mas pelos vínculos. Não pela visibilidade, mas pelo pertencimento. Nela, prosperidade não é sinônimo de consumo crescente, mas de qualidade de vida, tempo, relações e propósito.
Isso não é idealismo. É pragmatismo diante do colapso.
Nenhuma transição ecológica será viável se continuar baseada no mesmo imaginário que criou a crise
Não basta trocar combustíveis fósseis por energia renovável se continuarmos presos a um modelo de felicidade que exige mais extração, mais descarte e mais ansiedade.
O desafio real é mais profundo: reorganizar o que a sociedade considera uma vida bem-sucedida.
É aqui que a comunicação entra (ou deveria entrar).
Durante décadas, a comunicação foi a principal engenheira da vida-mercado, treinando gerações inteiras a confundir desejo com necessidade e consumo com identidade. Agora, precisa assumir outro papel: ajudar a reconstruir o imaginário coletivo em torno de outras formas de prosperar.
É conosco se reposiciona em 2026 dentro dessa urgência.
Não para oferecer respostas fáceis, mas para fazer as perguntas que o sistema prefere evitar:
O que estamos realmente buscando quando compramos tanto?
Que tipo de futuro nossas escolhas diárias estão financiando?
E o que estamos sacrificando para manter esse modelo de vida?
A transição que importa não é energética. É existencial.
A partir de agora, É conosco vai te ajudar a construir hábitos e um estilo de vida mais sustentável, em que produzir, performar e consumir deixam de ser o centro da existência e a prosperidade passa a ser medida por qualidade de vida, tempo, relações e propósito.
Porque sem essa mudança profunda, qualquer promessa de futuro sustentável corre o risco de virar apenas mais um produto bem embalado em uma prateleira em colapso.

Conheça a filial brasileira do The Climate Reality Project, organização global criada pelo ex-vice-presidente dos Estados Unidos e Nobel da Paz, Al Gore, em 2006. Presente em 12 países e regiões-chave, conta com uma rede de mais de 50 mil voluntários pelo mundo, sendo mais de 4 mil localizados no Brasil. Aqui, o The Climate Reality Project, é representado pelo Cento Brasil no Clima.




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