O que acontece dentro das pessoas entre uma mensagem que recebem e um comportamento que adotam?
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Tenho investigado como a comunicação influencia comportamentos, constrói cultura e molda aquilo que desejamos, e o que isso tem a ver com um mundo mais sustentável.
Sabemos que a informação importa. Mas comunicação não se resume à sua transmissão. Seus efeitos dependem também da capacidade de uma mensagem de tornar determinado tema pessoalmente relevante para quem a recebe.
Da consciência ao comportamento
Um estudo publicado em 2026 na Frontiers in Communication, investigou justamente essa relação entre comunicação e comportamento sustentável. Os resultados sugerem que a comunicação pode influenciar o comportamento não apenas diretamente, mas também ao aumentar a percepção de que a sustentabilidade é pessoalmente importante. Nesse modelo, essa percepção aparece como um mecanismo intermediário entre a comunicação e o comportamento.
Ou seja: apenas informar para gerar consciência pode não ser suficiente.
Sabemos que desperdiçar comida é um problema. Que determinados produtos têm impactos ambientais maiores que outros. Sabemos também que consumir menos recursos é importante, que o plástico descartável tem consequências e que a crise climática é real.
E continuamos desperdiçando, comprando, descartando e consumindo.
Um teste simples e uma boa maneira de avaliar uma comunicação de sustentabilidade é fazer uma pergunta que raramente fazemos:
Depois de receber esta mensagem, o que exatamente eu farei de maneira diferente?
Se a resposta for “agora eu sei mais sobre o problema”, temos uma comunicação informativa.
Se for “agora eu percebo que isso tem alguma coisa a ver comigo”, estamos mais perto de uma comunicação capaz de influenciar um comportamento.
E existe uma terceira possibilidade, ainda mais poderosa: “Agora eu quero fazer diferente.”
Aí entramos no território do comportamento que não nasce apenas de conhecimento. Ele também se relaciona com relevância, identidade, desejo, percepção de eficácia, pertencimento e contexto.
Neste caso, a comunicação de sustentabilidade acrescenta ao repertório das pessoas a vontade de descobrir o que fazer com as informações que elas já têm.
Uma campanha recente ilustra bem essa mudança de perspectiva é a The Rewards Bag, criada para uma rede de supermercados uruguaia, que partiu de uma constatação bastante simples: as pessoas sabem que as sacolas reutilizáveis são uma alternativa melhor às descartáveis, mas saber disso nem sempre é suficiente para mudar uma escolha cotidiana.
Transformar a reutilização em uma experiência de benefício imediato foi o que mudou o comportamento. Ao entrar na loja com uma sacola reutilizável vinculada ao cliente, um QR Code desbloqueava descontos personalizados.
A sustentabilidade deixou de ser apenas uma recomendação e passou a fazer parte da lógica da escolha e as vendas das lojas cresceram 16%. O número de clientes cadastrados aumentou 62% e a venda de novas sacolas reutilizáveis caiu 92%.
Uma campanha como essa não é a fórmula para transformar comportamento, mas ajuda a revelar algo importante: às vezes, o problema não está na ausência de consciência. Está na distância entre a consciência e o momento da decisão.
Essa distância pode ser pequena. Pode estar em um hábito, em uma conveniência, em uma recompensa, em uma norma social ou simplesmente na maneira como uma escolha é apresentada.
E é justamente aí que a comunicação pode deixar de ser apenas uma ferramenta de informação para se tornar uma ferramenta de transformação.
Isso também muda a maneira como deveríamos avaliar uma campanha de sustentabilidade.
Alcance, visualizações, curtidas e engajamento são indicadores importantes. Mas não respondem necessariamente à pergunta mais difícil:
O que aconteceu depois?
Uma mensagem pode gerar milhões de visualizações e não mudar uma única escolha.
Pode também alcançar muito menos pessoas e interferir concretamente em uma decisão.
Por isso, uma das perguntas que gestores de sustentabilidade, comunicadores, marcas e ativistas deveriam fazer antes de colocar uma mensagem no mundo é:
Estamos buscando que alguém entenda alguma coisa ou que alguém faça alguma coisa?
As duas coisas são importantes, mas não são a mesma coisa.
Tratamos a comunicação como uma espécie de ponte entre informação e consciência, mas agora, precisamos prestar mais atenção à ponte seguinte: aquela que liga consciência e comportamento.
O que faz uma escolha deixar de parecer uma renúncia e passar a parecer um desejo?

Conheça a filial brasileira do The Climate Reality Project, organização global criada pelo ex-vice-presidente dos Estados Unidos e Nobel da Paz, Al Gore, em 2006. Presente em 12 países e regiões-chave, conta com uma rede de mais de 50 mil voluntários pelo mundo, sendo mais de 4 mil localizados no Brasil. Aqui, o The Climate Reality Project, é representado pelo Centro Brasil no Clima.




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